por Mariana Souto

Taxi para a Escuridão, de Alex Gibney

por Mariana Souto


O ganhador do Oscar 2008 de Documentário, exibido neste Indie, não apresenta nada de novo em termos de conteúdo e muito menos de forma.
Taxi para a escuridão trata de torturas praticadas por soldados americanos nas regiões do Iraque, Afeganistão e Guantánamo pós 11 de setembro. Aos minimamente informados, não há nenhuma novidade em saber de abusos de poder de soldados em guerra, mas nesse documentário o tema é esmiuçado, discutido à exaustão e por vezes se torna até repetitivo.

Alex Gibney segue os moldes do documentário padrão e em alguns momentos chega a ser cansativamente didático. É possível enxergar, ao longo da duração do filme, o desenvolvimento por blocos temáticos: informações sobre o taxista assassinado; depoimentos dos soldados que estavam lá; depoimentos sobre a ineficácia da tortura enquanto método, etc. Recebemos informações sobre o taxista e vemos o lugar onde morava para que nos familiarizemos com ele, para que não seja apenas um nome e assim tudo o que vem depois, no filme, adquire mais força. O diretor parece ter partido de uma tese e se deu 106 minutos para prová-la por A + B, utilizando-se de todos os argumentos possíveis. Envolveu seu tema em uma trilha sonora de graves, câmera lenta e narração extremamente solene (feita por ele mesmo) e assim conferiu ao filme um tom de verdade inquestionável, além de bastante dramática.

 

O tema é de fato dramático, o que se questiona aqui é a necessidade de bater na mesma tecla ao longo de todo o filme, num bombardeio ideológico. O tom parece ser pensado para criar ódio contra os Estados Unidos, mas não deixa de ser interessante que venha do próprio país, sinal de uma verdadeira possibilidade de liberdade de expressão, ainda que abafada ali e aqui. Ódio anti-americano para quem é de fora; talvez para os de dentro fique uma sensação de desmascaramento, de transformação da opinião pública.

 

Taxi para a escuridão lembra Corações e Mentes, referência em documentário político, ao fazer uso de ironia, expondo figuras ilustres em seus momentos patéticos, contradições. O filme de Alex Gibney se utiliza de vasto material de depoimentos e de algumas imagens, poucas, que se repetem quando se volta a algum assunto, apenas como ilustração básica – mas intencionalmente chocante - de alguma fala. O diretor tenta se fazer invisível, mas nas poucas perguntas que o ouvimos fazer, percebemos o tom indutivo, mais sutil do que o de Michael Moore (o que não é lá muito difícil), mas ainda assim presente.

 

Filmes citados:

Corações e Mentes (Hearts and Minds, 1975 / Peter Davis)

Taxi para a escuridão (Taxi to the dark side, 2007/ Alex Gibney)