por Leonardo Amaral

Brilho de uma Paixão, de Jane Campion (1)

por Leonardo Amaral

Um filme biográfico corre sempre o risco de cair em alguns clichês. Se o biografado é um poeta, um desses riscos seria exatamente se colocar em detrimento preso à palavra. Filme de época, construído por uma câmera clássica que se propõe a contar a relação entre o poeta romântico John Keats e uma vizinha, espécie de modista e costureira no período do filme.

Jane Campion assume o tom romântico, seja através da música, ou mesmo pela maneira como constrói o romance entre os dois atores, bem como a forma trágica como o relacionamento se dá. Os melhores momentos do filme talvez estejam ligados aos momentos em que a diretora deixa que esse tom ganhe a tela, mesmo com o ainda aprisionamento à poesia, o perigo já descrito da prisão da imagem pela palavra.

E talvez por isso a grande cena do filme seja quando Keats se despede da amada antes de partir para Nápoles. Nesse momento Campion desconstroi um pouco a ideia do amor em Keats (que acaba partindo para Itália ao contrário de ficar junto à mulher pela qual se declara amoroso) ao mesmo tempo em que a reafirma na presença e atuação de Abbie Cornish. Uma certa ambiguidade que no restante do filme quase sempre inexiste, mas que é bastante forte na poesia keatsiana: uma reflexão sobre o amor, encontrada, em Bright Star, talvez apenas em uma cena.

*Visto no Festival de Cannes 2009.

Filmes Citados:
Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2009 – Jane Campion)