por Leonardo Amaral

City Island, de Raymond De Fellitta

por Leonardo Amaral

 

Sempre erramos no passado - e esses erros podem dizer muito do presente. No entanto, se você tentar revê-los, ainda é possível modificar as coisas, e aí tudo se resolve e você pode ser uma pessoa melhor, com uma vida melhor. Isso te soa pessoal? Uma família em desordem, em que tudo caminha para o fim, até que  que, algum dos personagens (ou mais de um) resolve buscar os erros do passado e tentar consertá-los:  ajeitar as coisas para ver que a vida é bem mais fácil do que pensamos e que a felicidade, claro,  estava logo ao lado. De alguma forma, é mais que um clichê do cinema (em especial, de um tipo de cinema americano): um tio de redenção do personagem que se dá durante toda a narrativa. No entanto, em City Island, ela se dá sem ambigüidade alguma, o processo de ascese é na verdade uma defesa de tese, e cada plano do filme é uma tentativa de explicação e argumentação em favor dessa tese.

 

O filme está acabado já no seu primeiro enquadramento, não há um convite ao expectador, ele é apenas alguém que deve perceber uma espécie de desimportância de cada imagem. City Island inicia-se com um off de descrição de um pequeno lócus nova-iorquino, o personagem de Andy Garcia descreve a vizinhança, sua vida e a partir de então passamos a acompanhar sua família, na qual várias coisas do passado estão escondidas.

 

Raymond De Fellitta instaura sua narrativa e a constrói a partir desses segredos, que serão, de alguma maneira, o processo de introspecção do agente carcerário (Garcia) que desde o primeiro minuto já se mostra muito próximo de um Happy end. Cinema determinista, e mesmo moralista. Estão aqui as chaves: pai abandona filho no passado e o reencontra na cadeia, leva-o em condicional para sua casa e eis a recuperação; filha trabalha como stripper em boite , mas é descoberta e retorna feliz a faculdade; esposa infeliz redescobre marido após esse conseguir realizar o sonho de ser ator. Tudo certinho, fechado no roteiro, muito organizado, bonito, lindos sonhos. Belo quando a vida se acerta, às vezes até parece cinema.

 

*Visto no Indie 2009.

 

Filme Citado:

City Island (idem, 2009 – Raymond De Fellitta)