- “Mulher à Tarde”, “Os Residentes” e “O Céu Sobre os Ombros”: Des-Ordem de representação como crise da identidade
- Bruna Surfistinha e os limites da obscenidade
- Os desdobramentos do corpo e a política na presença: Passe Livre e a obra dos irmãos Farrelly
- A política da juventude: entre a utopia do caminho e a imagem utópica do pensamento singular
- Afinal, onde está o cinema brasileiro?
- A verdade da memória e a escritura do tempo: a trilogia da Ilha de Coudres
- Dos procedimentos do cinema direto de Wiseman à imagem cínica: quando o cinema vira telejornal e o telejornal incita um cinema precário
- Viagem ao princípio do mundo, de Manoel de Oliveira
- Vale Abraão, de Manoel de Oliveira
- Rogério Sganzerla em seis tempos: “Informação H.J. Koellreutter”, “B2”, “Documentário”, “Irani”, “Viagem e descrição do Rio Guanabara por ocasião da França Antártica” e “Linguagem de Orson Welles”
- A Bela Intrigante: o quadro sempre como o limite
- As marcas do passado e o olhar embaçado do futuro: a obra de Lucian Pintilie
- “É Proibido Fumar”, de Anna Muylaert
- A imagem da alteridade: “A Falta Que Me Faz”, “Pacific”, “Viajo porque preciso, volto porque te amo” e “Morro do Céu”.
- O cinema de artifícios de Martín Mainoli
- Distrito 9: entre os desvios e a autenticidade
- Câmera-olho do delírio cotidiano: o cinema de Martin Scorsese
- Almoço em Agosto
- O Pornógrafo: hora de mudar as regras, vamos colocar as cartas na mesa
- Marguerite Duras: construção / destruição do cinema

por Leonardo Amaral
Le père de mes enfants, de Mia Hansen-Love

por Leonardo Amaral
A câmera de Mia Hansen-Love sempre está no outro ou na possível visão de outrem, na sua presença e ausência física, na vida que se opera diante da lente. O cenário é Paris: monumentos e corpos – tanto que os créditos iniciais e finais se passam, em passeio de carro, pelas ruas parisienses com ou sem pessoas: atestados dessas presenças e ausências no cotidiano que a diretora apresenta. Um filme com uma capacidade de descolar o olhar para aquilo que sempre escapa: o homem atrás de suas camadas, Gregoire Canvel, produtor bem-sucedido, com vários projetos em ação, com uma bela família: Hansen-Love vai em busca do homem, para tanto, filma corpos-pessoas, ou melhor, capta suas representações em cada cena.
Na ponte próxima à Biblioteca François Mitterant, o corpo ainda pode sonhar, ainda tem o que dizer. Após, são os rostos que vão operar em cena. Mia Hansen-Love já disse que François Truffaut é uma de suas influências, no entanto, provavelmente seu cinema se centre ainda mais na representação do outro do que o do crítico-cineasta, que filmava mais uma persona em suas interações. Um filme que não se opera com câmeras somente subjetivas e que tem uma grande capacidade de perceber o entorno e tudo aquilo que nele se insere. A partir disso e da maneira como a diretora realiza seu longa (como coloca em cena seus personagens) é possivel conferir a Le père de mes enfants um caráter bastante personalista, por tudo aquilo que ele se propõe a narrar: a história de uma família como também a de se fazer cinema, e toda a relação (ou não) entre as duas coisas dentro da diegese. A trajetória de Gregoire durante o filme é o grande exemplo disso, como visto em suas várias formas de presença dentro da obra.
Com certeza um dos grandes filmes do festival, por tudo o que tem a dizer sobre relações, sejam profissionais, familiares, com a cidade, de criação, destruição. Não é todo dia que se pode assistir a um filme no qual a câmera diz tanto (sobre si mesma e sobre o outro, ou sobre aquilo que ele representa), em suas formas diretas e indiretas. Le père de mes enfants precisa (e deve ter) de uma análise com mais calma, fora da correria dos festivais. Acima de tudo, um filme que precisa ser visto.
Filmes Citados:
Le père de mes enfants (idem, 2009 – Mia Hansen-Love)







