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por Leonardo Amaral
Antichrist, de Lars Von Trier

por Leonardo Amaral
“Há dois anos eu sofria de depressão. Foi uma nova experiência para mim. Tudo, absolutamente tudo, me parecia sem importância, fútil. Eu não podia trabalhar”. Lamento profundamente pelo Lars Von Trier, mas também não sou obrigado a ver seu expurgo psicológico na tela, como, por exemplo, o que ocorre na cena inicial, com câmera lenta, um preto e branco rídiculo que não tem outra função que não seja o de estilizar uma cena de sexo porcamente filmada. Mas na cabeça de Von Trier provavelmente é um ato artístico, o seu prólogo é o começo do jogo que vai estabelecer em Antichrist, um jogo, como em grande parte do seu cinema, que ele tem orgulho de jogar sozinho; logo, que coloque de uma vez as cartas na mesa, mas não me chame para jogar. Se o cineasta não quer discutir ou fazer pensar cinema em seus filmes, não vão ser os espectadores que vão insistir nisso tudo.
O objetivo de Von Trier é o de levar homem e mulher à natureza, à sua relação mais primitiva, ao instinto, aos seus desejos profundos, enfim, aos seus medos, e, para tanto, não vai deixar de lançar, vergonhosamente, planos gráficos e de efeitos, música e sons que tentar sustentar uma imagem insustentável: em certos momentos Antichrist me faz lembrar Fonte da vida, pretensiosos e ruins na mesma escala, ambos querem falar de natureza física e humana, e se esforçam exaustivamente em levar o homem ao contato com a mesma; Lars Von Trier cria até uma raposa falante que profetiza o caos. “As cenas se ajuntavam sem razão. As imagens eram compostas fora de qualquer lógica e reflexão dramática”. Se o próprio Lars, no material de divulgação do filme, diz isso, eu nem preciso dizer mais nada sobre a desimportância das imagens que ele leva à tela, o quanto Antichrist não suscita qualquer discussão estética, poética, filosófica, humana: um diretor que mal pensa onde posicionar sua câmera (o filme exemplifica isso muito bem). Von Trier ainda diz ser Antichrist o filme mais importante de sua carreira. Bom, se dizer que Antichrist é constrangedor pode ser um elogio, a carreira (nem muito sólida) de Von Trier está correndo sérios riscos. Se o que vem pela frente são os anseios e castrações que ele colocou em tela, bem, não me faz perder o sono pensar na falibilidade da mesma.
Filmes Citados:
Antichrist (idem, 2009/Lars Von Trier)
Fonte da vida (The Fountain, 2006/Darren Aronofsky)







