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por Leonardo Amaral
Bendito Fruto
por Leonardo Amaral
O filme de Sérgio Goldenberg se insere muito bem em alguns dos assuntos que permearam o segundo debate da Mostra de BH no qual participaram Daniel Caetano (como mediador), José Carlos Avellar, Hernani Heffner e Inácio Araújo – principalmente quando falaram de uma gama de filmes e produtores que, de antemão, partem da idéia de construir um filme que seja popular. Por seu hibridismo e por sua narrativa que se remonta ao cotidiano brasileiro, pode-se incluir Bendito Fruto como um filme que se encaixa interessantemente bem dentro desse aspecto ilustrado (claro, sem afirmar isso com certeza absoluta, longe disso) – aliás, são esses os dois méritos do filme: ser honesto o bastante para se assumir assim e construir personagens muito bem aceitáveis no cotidiano da maioria dos brasileiros das classes média e baixa, principalmente.
Como prova disso, há recorrências à televisão em vários momentos (daí o hibridismo): da novela que permeia toda a narrativa, do ator que sai na revista de fofocas que existe em todo salão de beleza, os freqüentadores desse ambiente que sempre conversam algo sobre a novela e isso os aproxima. Para construir a história de Edgar e Maria – historinha de amor, melodrama e conflito bastante críveis e encontráveis no cotidiano -, há uma aproximação da imagem com a linguagem da própria televisão. Estão lá os primeiros planos que compõem a narrativa simples, os cortes funcionais e os movimentos de câmera que são apenas existentes para o intuito de localizar o espectador. A honestidade de Bendito Fruto está, desde o início do filme, em não negar essa estética, de, mesmo em se tratando de cinema, não querer mentir sobre a sua matriz que é de ordem televisiva e novelesca, tanto que há forma melodramática para composição do ethos de cada personagem.
Há, evidentemente, muitos problemas dentro filme, a maioria deles ligada à própria dinâmica narrativa – existe um timing assaz diferente entre cada uma dessas linguagens, daí a imprecisão notável da maioria dos hibridismos de linguagem e/ou estética. Ao mesmo tempo em que existe essa honestidade supracitada, há o grande (talvez maior) problema que está ligado ao que primeiramente foi discutido: do pensamento de quer ser popular antes de qualquer outra coisa.
Talvez fosse melhor se concentrar mais na tentativa de se contar aquela história, acreditar na força dela, sem pensar, em um primeiro momento, com os retornos de público para o produto – reside exatamente aí o limite e não será o suporte, pura e simplesmente, quem irá marcar a diferença.
*Visto na 1ª Mostra CineBH.
Filme Citado:
Bendito Fruto (idem, 2004/Sérgio Goldenberg)







