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por Leonardo Amaral
HQ
por Leonardo Amaral
Rogério Sganzerla, um afixionado por cinema. E por revistinhas ilustradas. Comics, HQs, band desinées, quadrinhos, Rogério busca unir cinema e gibis em uma única coisa, numa forma quase única de se realizar a colagem de imagens. Estamos em 1968, final de uma década em que as revistinhas em quadrinho se consolidavam como umas das principais formas de diversão e também de manifestação cultural, muito em vista ao desenvolvimento estético e temático, bem como na relação de identificação exercida pelos personagens. Mesma época em que o mundo via pipocar a contracultura, que, de formas diretas ou indiretas, também atingiu quadrinhos e cinema.
Em 1968, em um de seus primeiros curtas, Sganzerla já fazia uso de duas técnicas que, em quase toda a sua obra, estariam, de alguma forma, presentes: a colagem de imagens e sua posterior manipulação na montagem, além de uma narração em off com um rompimento à clássica entonação da voz (essa forma narrativa se potencializa em Bandido da luz vermelha).
A bricolagem, aliás, é fundamental em filmes como Brasil, A linguagem de Orson Welles e Nem tudo é verdade, nos quais o tratamento de imagens de Orson Welles, Shakespeare, Rio de Janeiro, Bahia se dá de forma a constituir uma narrativa inventiva e c0mplexa. As imagens não são simplesmente coladas e recortadas para se tentar obter dinamismo à MTV; pelo contrário, cada imagem busca, na contraposição com a outra, uma arquitetura de pensamento em relação ao objeto imagético. Em HQ, de maneira bem humorada (ao mesmo tempo em que trata com uma seriedade o discurso), Sganzerla ajunta várias expressões estéticas e muitos personagens dos quadrinhos para contar, de forma concisa e precisa, a história de praticamente tudo (ou pelo menos de mais importante) que ocorreu no mundo dos gibis. O diretor catarinense o faz para, ao final, chegar à reivindicação da consideração dos quadrinhos como representação artística.
Para defesa de sua ‘tese’, Sganzerla faz uma vasta pesquisa de quadrinhos do mundo inteiro, para, posteriormente, uni-los todos por um discurso que leva em conta a cultura helênica, Freud, literatura, cinema, música, ópera. Nada mais coerente poderia ocorrer em um discurso de quem coloca tudo isso dentro de um liquidificador para, ao final, retirar um coquetel cósmico saboreado pelos fãs de quadrinhos, redimensionado pelo cinema e arquitetado por Sganzerla.
Filmes citados:
HQ (idem, 1968/Rogério Sganzerla)
O bandido da luz vermelha (idem, 1968/Rogério Sganzerla)
Nem tudo é verdade (idem, 1986/Rogério Sganzerla)
A linguagem de Orson Welles (idem, 1990/Rogério Sganzerla)
Brasil (idem, 1981/Rogério Sganzerla)







