A mediocridade sempre presente

por Marcelo Miranda

Em meio a mostra japonesa, Indie e celebração de aniversário do Cine Humberto Mauro com um monte de filme imperdível, o circuito “comercial” vai ficando para trás - e com honra, visto que a programação “paralela” em Belo Horizonte está milênios-luz à frente do que tem chegado às telas nas últimas três semanas. Ainda assim, é sempre válido dar uma atualizada, mesmo que para isso a mente precise trabalhar em outras chaves de recepção e tolerância.

Pois é, tolerância é uma palavra apropriada. Incrível como dois filmes como As Duas Faces da Lei e Espelhos do Medo, vistos por este polvo no mesmo dia e nos quais o objetivo é provocar algum tipo de tensão, caiam completamente na mediocridade da forma como desenvolvem seus projetos de (não) cinema. O primeiro reúne os grandiosos Al Pacino e Robert DeNiro numa traminha policial bastante besta, a cargo de Jon Avnet, diretor de talento limitado que parece ter decidido fazer um longo e entediante videoclipe com os dois astros - afinal, haja cortes e giros e mais cortes e mais giros ao longo do filme, com direito a uma seqüência literalmente nauseante, em que a montagem trabalha violentos “chicotes”, indo de um rosto a outro, para mostrar ações paralelas. Eu achei que ia desmaiar de tontura no cinema.

A única coisa que resta de bom nesse filme, para além das presenças físicas de Pacino e DeNiro (apenas físicas, porque expressividade e talento foram dar um passeio por outros trabalhos protagonizados por eles no passado), é sentir ainda mais o quanto Michael Mann soube trabalhar as personas da dupla e os seus significados enquanto ícones culturais naquela obra-prima que é Fogo contra Fogo, que também os reunia. Ou seja, As Duas Faces da Lei só serve mesmo pra confirmar ainda mais a força do filme de Mann.

Por sua vez, Espelhos do Medo é outro desperdício de talentos. O maior (e talvez único) atrativo era a direção do francês Alexandre Aja, que estreou lindamente cruel na sua terra-natal, com Alta Tensão, e depois foi aos EUA nos oferecer a pérola política Viagem Maldita. O rapaz decidiu se render aos produtores e fez esta refilmagem de um terror coreano em que pouco resta de seu potencial como cineasta.

Kiefer Sutherland (num tom de atuação incomodamente próximo ao de seu Jack Bauer na série 24 Horas) faz o vigia noturno atormentado por espelhos amaldiçoados. O acúmulo de cenas mal ajambradas deixa sensação de tempo modorrento e aquela vontade incontrolável de fazer o filme acabar na próxima piscada de olho ou depois do trocentésimo pseudo-susto. Arrisco dizer que Aja não teve muita autonomia como realizador aqui. Foi só peão de obra.

Ufa. Ainda bem que sempre há o circuito “paralelo” de filmes. Pobres os que insistem em viver apenas de cinema de shopping.

Uma resposta para 'A mediocridade sempre presente'

  1. leo amaral Diz:

    um baita circuito paralelo o de bh

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