Cobertura II For Rainbow - Domingo

Em vários momentos o II For Rainbow demonstra ser um festival de cinema calcado em discussões muito mais sociológicas e políticas do que necessariamente cinematográficas. Discute-se muito a representação do homossexual no cinema, mas vários filmes parecem mais levantar bandeiras e focar diretamente na expressão da classe LGBT (vários documentários de “Cabeças Falantes”) que pensar em como a organização das imagens é parte essencial da discussão proposta na diversidade. São muitos filmes instintivos, necessariamente focados em um tema sem trabalhar conceitualmente a representação deste tema no meio cinematográfico.

Mas houve exceções e, por enquanto, vale citar o que tornou o domingo um dia mais especial. “Línguas Soltas” e “Afirmações”, de Marlon Riggs, traçam um panorama interessante da comunidade negra gay norte-americana. Riggs une a manifestação propriamente dita, de forma panfletária, com a poesia indignada de versos, a melancolia da música e o misto de preconceitos e dificuldades que uma classe duplamente excluída tem que lidar.

Destaco da Mostra Nacional o média metragem “Meu Tempo Não Parou”, filme de Porto Alegre que une entrevistas buscando traçar um breve panorama histórico da homossexualidade na cidade. Desde o começo da prostituição dos travestis até o evidenciamento da AIDS, observa-se um filme muito bem montado, que vai do humor à tristeza mantendo o seu ritmo e fluência.

Fazendo um rápido panorama na Competitiva da noite (em breve, textos aprofundados sobre os filmes), destaco “Para Macedônio”, olhar cearense criativo sobre um momento de Jorge Luís Borges, “Bárbara”, curta mineiro já devidamente analisado aqui no Polvo e “Filthy”, obra do coletivo Queer Fiction que deu “boa noite” ao público da melhor maneira possível: via tortura. Comentários sobre o filme, que definitivamente merece um texto à parte, perduraram até o debate de segunda feira.

Gabriel Martins

de Fortaleza - CE, 30° C

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