Walter Lima Jr. sobre a crítica

Vejo no Brasil uma disfunção, que é celebrar a inexperiência e a pura e simples investigação como sendo um grande evento. Acho ingênuo e tolo tratar o país como se fosse um laboratório de linguagem. Para se fazer um filme de arte aqui, basta uma coisa: ser o primeiro filme.

Diretor de Os Desafinados, em entrevista à Folha de São Paulo

Uma resposta para 'Walter Lima Jr. sobre a crítica'

  1. Leo Cunha Diz:

    Curioso que, no mesmo dia, o Caetano tenha feito uma queixa (pra usar um termo mais caetânico) bastante grosseira a respeito das críticas que a Folha e o Estadão fizeram ao seu show (com Roberto Carlos). Dois trechos:

    “Se o show fosse no Ginásio do Ibirapuera, o ruído dos aplausos assustaria a boba da Folha e o burro do Estadão que escreveram sobre o show. Há anos não leio nada tão errado sobre música brasileira” (…)

    “Escrevo isso só para mostrar aos que comentaram as críticas hilárias da província paulistana que também li e que fiquei com pena dos dois fanfarrões que não sabem nem escrever. O do Estadão então é inacreditável. Como é que qualquer editor deixa sair um texto com tantos erros de português, tantas redundâncias e obscuridades, tamanha incapacidade de articular pensamentos? A da Folha não sabe pensar mas exprime de forma primária esse seu não-saber. O outro, nem isso. O texto dele é tão mal escrito que a gente tem de adivinhar o que ele pensa - e chega à evidência de que pensa errado. Mas de alguma forma o artigo da mulher parece ser mais prejudicial do que o do cara.” (…)

    Pois então. A dificuldade em aceitar a crítica é coisa antiqüíssima, mas o choro do Caetano me parece mais prejudicial do que o do Walter.

    Acho bobagem essa conversa (do Walter) de que basta ser estreante pra cair nas graças da crítica. Inclusive porque não é verdade.

    Por outro lado, confesso que muitas vezes também me incomoda uma certa crítica que só consegue valorizar os filmes que batem na tecla da experimentação, da transgressão, do “laboratório de linguagem”. Eu particularmente curto muito um filme que sabe usar, reciclar, citar, homenagear filmes e procedimentos fílmicos já estabelecidos. Cineastas que desenvolvem sua obra em torno de pequenas variações sobre os mesmos temas ou estruturas. Enfim, sou sempre a favor do Isto & Aquilo, e não do Isto OU Aquilo.

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