Eduardo Escorel filma trajetória controversa de agricultor em “O Tempo e o Lugar”
por Marcelo Miranda
*publicado em O TEMPO - 19.05.2008
Mal estreou e a polêmica já tem acompanhado as exibições do documentário O Tempo e o Lugar, de Eduardo Escorel. Na semana passada, um debate acalorado em São Paulo gerou reações firmes contra e a favor das colocações do personagem retratado no filme - o agricultor alagoano Genivaldo Vieira da Silva.
Escorel tem se surpreendido com algumas super-reações ao filme. “É perceptível principalmente por parte do público mais jovem, que claramente se incomoda com as pesadas críticas que o Genivaldo faz ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra)”, comenta o diretor. Mais que surpreso, Escorel tem se preocupado com alguns comentários por parte dos simpatizantes do movimento. “Acho estranho que algumas pessoas que apóiam o MST não se mostrem capazes de ouvir e refletir a respeito do relato no filme, quando o Genivaldo faz comentários duros contra o grupo”, diz Escorel. “Chegaram a insinuar que seria melhor eu não ter contado a história. Acho isso bastante grave.”

O câmera Ricardo Stein filma Genivaldo Vieira no documentário de Escorel
Conflitos. Escorel é veterano no universo do cinema brasileiro. Montou os seminais Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, e Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho. Teve atuação como diretor adaptando Mário de Andrade, em Lição de Amor (1975), e dirigindo outros trabalhos, como Ato de Violência (1979) e O Cavalinho Azul (1983).
O projeto de O Tempo e o Lugar nasceu de um serviço encomendado a Escorel em 1996. Ele conheceu Genivaldo quando foi filmá-lo para o programa Gente que Faz, veiculado na TV Globo. “Percebi que ele tinha uma história de vida muito além do que tinha contado aos pesquisadores. Antes de voltar de lá, propus que gravássemos um áudio para ele relatar sua vida”, conta Escorel. O diretor guardou o material e apenas voltou a mexer nele nove anos depois, quando retornou a Alagoas atrás de Genivaldo com a idéia de produzir um longa de ficção.
Após algumas dificuldades (especialmente de financiamento e logística), decidiu por rememorar em documentário a trajetória cheia de meandros de seu personagem. Entre outras passagens, O Tempo e o Lugar narra os vários conflitos que Genivaldo teve ao longo da vida com instituições como a Igreja Católica, o MST e a militância do PT, partido no qual foi filiado e tentou se tornar prefeito de Inhapi, sua cidade-natal, em 2000. “É basicamente um filme sobre esse agricultor familiar”, define Escorel.
O filme entra em cartaz em Belo Horizonte na próxima sexta-feira, dia 23 de junho.
9/06/08 às 12:59
[…] Além disso tem a estréia do novo filme de Eduardo Escorel, O tempo e o lugar. […]