Comédia faz história na França
por Leo Cunha
Filmes Polvo não dá muita bola pras bilheterias. Mas pra tudo tem exceção…
A comédia Bienvenue chez les Ch’tis, de Dany Boon, acaba de se transformar no filme francês mais visto de todos os tempos. No último fim de semana ele ultrapassou outra comédia, A grande escapada, lançada em 1967, com direção do mestre francês Gerard Oury.

A manter sua firme trajetória nas bilheterias, o filme de Boon deve, em algumas semanas, destronar Titanic, de James Cameron, como o filme mais visto de todos os tempos na França, incluindo obras de todas as nacionalidades.
Vale lembrar que na França a bilheteria é contada em número de ingressos, e não em dólares, como nos EUA. Assim, as 4 maiores bilheterias de todos os tempos na França são, a partir de agora:
- Titanic (20,7 milhões de ingressos) - 1997
- Bienvenue chez les Ch’tis (com 17,3 milhões) - 2008
- A grande escapada (17,2 milhões) - 1967
- E o vento levou (16,7 milhões) - 1939, mas lançado na França em 1950
Deu pra ter uma noção do tamanho deste recorde?
Para quem não conhece, vai aqui uma pequena ficha de Dany Boon. Este é o seu segundo filme como diretor (o primeiro foi a comédia La maison du bonheur, que não foi lançada no Brasil). Boon é mais conhecido como ator e esteve em cartaz aqui no Brasil ano passado, ao lado de Daniel Auteuil, em Meu melhor amigo, de Patrice Leconte.
Boon acaba de ter lançada em DVD outra comédia, Contratado para amar, de Francis Veber, onde também contracena com Auteuil, além de Gad Elmaleh, Kristin Scott-Thomas e Virginie Ledoyen.
Ainda não assisti ao Bienvenue chez les Ch’tis, evidentemente (o filme foi lançado há pouco mais de um mês na França), mas se Boon seguiu os passos de seus mestres Leconte e Veber, trata-se de uma comédia com narrativa clássica, pouco inventiva visualmente, mas extremamente bem urdida em termos de timing, diálogos e atuações.
Segundo o jornal francês Le Figaro, Dany Boon apresentará seu filme em Hollywood no dia 14 de abril próximo, abrindo o Festival do Filme Francês de Los Angeles (onde ano passado foi lançado Piaf). Como os americanos não são muito adeptos de filmes legendados, há grandes chances de Bienvenue chez les Ch’tis receber um remake ianque em breve. Os irmãos Weinstein já se mostraram interessados na empreitada.
Como o humor francês costuma ser recheado de referências geográficas e culturais, o remake tem sido a opção mais freqüente nos EUA, como atesta o grande número de refilmagens da obra de cineastas como Edouard Molinaro (Fuja enquanto é tempo virou Amigos Amigos, Negócios à Parte, de Billy Wilder; A Gaiola da Loucas foi refilmado por Mike Nichols com o mesmo título) e Francis Veber (recordista de filmes refeitos em Hollywood: Le Jouet foi refilmado por Richard Donner como O brinquedo; Les Compères por Ivan Reitman como Um dia, dois pais; A Cabra virou É pura sorte, de Nadia Tass, entre outros). Com exceção de A gaiola das loucas, todos os outros ficaram a léguas do original, em termos de graça, frescor e timing. Vejamos o que espera o filme de Dany Boon.
8/04/08 às 17:57
17,5 milhões num país de pouco mais de 60 milhões de habitantes. Cabulosamente expressivo esse número.
Se, de repente, em proporção, 50 milhões de brasileiros resolvessem assistir a um filme nacional, nós não teríamos sequer salas de cinema suficientes. chato pensar nisso…
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8/04/08 às 19:44
Interessante saber dados recentes na França em vista da polêmica instaurada (e capitaneada por Pascale Ferran, diretora de “Lady Chatterley”) a respeito da crise vivida pelo cinema no país. A gente tem a idéia de que tudo corre às mil maravilhas por lá, mas as coisas são bem diferentes. Parece que o financiamento dos filmes via verbas de canais de TV (principal propulsor das produções) tem sido dadas a projetos com nomes famosos no elenco, roteiros repetitivos ou óbvios e trabalhos que tenham algum tipo de retorno garantido. Filmes mais ousados, de invenção, ou mesmo que fujam levemente do padrão estão ficando a ver navios. Lembra o Brasil, essa situação.
O que a Pascale e sua turma estão reivindicando são garantias para os chamados filmes de médio porte, aqueles em que inexiste um orçamento astronômico e maiores ambições de bilheterias igualmente milionárias. Faz sentido, já que filmes menores se pagam mais facilmente e, com o caixa girando, é possível financiar mais e melhores. Acompanhemos, afinal.