Flashes de uma tarde cinéfila
por Marcelo Miranda
1) homem inadvertidamente provoca acidente de carro que resulta na morte de um dos membros de uma família. Ele não presta ajuda e carrega ao longo de todo o filme a culpa pelo ocorrido. Do outro lado, a família sofre as conseqüências da perda trágica, e o pai da criança morta resolve buscar a justiça por sua conta.
A premissa acima não é de 21 Gramas, do Iñaritu. Nem de Meu Mundo em Perigo (ainda inédito novo filme de José Eduardo Belmonte, exibido em festivais). Muito menos A Fogueira das Vaidades, do De Palma. Nem Entre Quatro Paredes, filminho independente de Todd Field.
É Traídos pelo Destino, em cartaz nos cinemas brasileiros. Tem direção do Terry George (Hotel Ruanda) e um trio de protagonistas de respeito - Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly e Mark Ruffalo. Fora isso, nada demais. O enredo já devidamente explorado antes não tem maiores aprofundamentos, ainda que consiga se resolver muitíssimo bem, e o diretor parece ter feito o filme apenas por ofício.
2) Hollywood é mesmo esperta. Esse tal Jumper, sucesso absoluto de bilheteria, recicla uma série de fórmulas dos filmes de super-heróis (a maioria caça-níqueis por sí só), insere alguns elementos politicamente incorretos (mas nem tanto), um elenco cheio de gente bonita (exceto o Samuel L. Jackson de cabelo branco) e efeitos visuais dos mais modernos, usando e abusando da invejável capacidade do protagonista de se teletransportar a qualquer ponto do planeta num piscar de olhos. Desse caldo todo resulta um filme inócuo, com cara de que nasceu para ser franquia e ganhar milhões com suas infinitas continuações. E pensar que o diretor é Doug Liman, do bacanudo Vamos Nessa!. Se bem que ele dirigiu Sr. e Sra. Smith, e só por isso vai arder no inferno.
3) de um lado temos Não Estou Lá, aquele filme absolutamente embasbacante do Todd Haynes (vi duas vezes, e a vontade de que ele não acabasse permaneceu em ambas); do outro, Across the Universe, romance musical cheio de referências cool. De um lado, a implosão de Bob Dylan; do outro, a explosão dos Beatles. É ver os dois e perceber o que é um cinema de sensações e um cinema de resoluções.
4) empilhados aqui na mesa:
- Hatari!, de Howard Hawks
- Perdida, de Carlos Alberto Prates Correia
- Fuga para Odessa, de James Gray
Quem disse que o VHS não vale mais nada?
4/04/08 às 1:29
depois das histórias que ouvi a respeito do Doug Liman, tenho certeza de que ele fez esse filme com o único proposito de viajar pelo mundo e fazer festinhas em locação no egyto e no coliseu. Ele ganhou crédito de produtor nas continuações do Bourne - cujo primeiro foi dirigido por ele -, mas não foi por produzir; foi uma espécie de suborno pra ele deixar que o filme fosse para as mãos do hiper talentoso paul greengrass!
acabei de devolver:
-gloria, cassavetes
-amantes, cassavetes
-três é demais, wes
-amigos de risco, brant
vsh ainda quebra um galho fudido!
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4/04/08 às 9:27
Nossa, que tarde produtiva!
4/04/08 às 18:16
João, não seria AÇÃO ENTRE AMIGOS, do Brant?
E VHS ainda é o que há. Em alguns casos, é apenas o que há…
4/04/08 às 19:44
é apenas o que há! rsrsrs exatamente. eu, na verdade, detesto a midia vhs e não tenho nenhum senso de nostalgia em relação a ela. mas muitas vezes é o único recurso disponível mesmo. paesar de Gloria estar com uma qualidade quase dvdística, apesar do “tela cheia”
Tem razão; confundi o filme do brant com o título do daniel bandeira. Vi Ação entre amigos.
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4/04/08 às 20:19
verei Across The Universe pra tentar entender seu interessante apontamento.
tarde produtiva essa sua.
vhs salva demais em certos momentos.
5/04/08 às 18:06
VHS ainda vale alguma coisa. Volta e meia compro alguns em sebos, e são grandes filmes que não existem em dvd.
O Fuga Para Odessa, por exemplo, é um deles. Genial, e só pude ver o filme graças ao, ainda útil, vhs. Ae!
6/04/08 às 14:34
Tô afim de ver fuga para odessa. MM diz que James Gray é uma espécie de novo Eastwood. E donos da noite é excelente.
6/04/08 às 18:41
João, FUGA PARA ODESSA tem na mesma locadora onde pegou GLORIA. Filme maravilhoso, James Gray começou bem e não parou mais. Lá você acha ainda CAMINHO SEM VOLTA, o segundo longa dele. E aí veio OS DONOS DA NOITE e pronto, o cara só tem os três em mais de dez anos de carreira. Espero que ele não demore mais seis anos pro próximo filme… Assista e conversamos!
12/04/08 às 1:39
O Gray esta correndo para aprontar o filme novo já para Cannes.
Credito de produtor sem trabalhar é algo recorrente em Hollywood. No caso o que aconteceu é que Frank Marshall que é o produtor da série refilmou metade do primeiro filme porque o material que o Liman rodou não fazia sentido, mas não podia demitir o Liman porque o contrato dele com a Universal era para dirigir as duas sequencias e arranjaram a saida dele receber e ser pago como produtor sem trabalhar (vale dizer que o Burton tem credito de produtor no terceiro Batman pela mesma razão).